Cenas dispersas – Não Parta

Não Parta

Ele estava decidido, não havia nada que eu pudesse fazer.
Era meia noite quando você me deixou, mas só fui saber na manhã seguinte.

Por volta das 22h você bateu a porta do meu apartamento, imaginei que fosse mais uma noite que você não conseguia dormir e queria me ter em seus braços para ouvi-lo falar até se sentir cansado ou eu pegar no sono. Mas suas olheiras denunciavam que o problema era maior, levei a mão ao seu rosto e ele estava frio e o frio parecia até ter congelado seu olhar. Seus olhos castanhos aquela noite pareciam gelo ao invés de chamas que por varias noites me aqueciam. Seu cabelos negros estavam bagunçados e seu moletom largo estava úmido.
– Amor, você ta bem? Entra.
Você levantou as mãos tirando a mão do meu rosto. – Escute Anelize, eu não posso mais te enganar, chega eu vou ficar com ela e você não precisa conviver com isso.
-O que? – Foi tudo o que pude dizer enquanto as lagrimas turvavam meu olhar.
– Eu estou te deixando, sei que me ama, eu também te amo, mas não posso deixa lá  eu não vivo mais sem ela. – Foi tudo o que você disse enquanto dava meia volta e ia pelo corredor. Eu escutei-te dizer um adeus enquanto me deu as costas, mas não pude responder pois estava já chorando e quando você desceu pela escada ao invés de esperar o elevador me senti pior ainda. Tudo o que pude fazer foi fechar a porta e me recostar nela deixando as lagrimas escorrerem.

Queria correr atrás de você e perguntar quem era a vagabunda, ou então só para dar-lhe um tapa na cara por estar comigo e com ela ao mesmo tempo. Só agora eu vejo que deveria telo feito, assim quem sabe agora você estaria aqui comigo.

Me arrastei até meu quarto ainda chorando, fiquei horas olhando pela janela, ou socando o travesseiro, ou discutindo comigo mesma em voz alta pensando em como iria atrás de você na manhã seguinte. Porque eu esperei tanto? Porque te deixei ir embora aquela noite, por que não vi que você precisava de mim! Porque você não me pediu ajuda?

Era meia noite quando você me deixou, mas só fui saber na manhã seguinte.
Quando meu relógio despertou eu senti que não havia dormido nada, senti meu travesseiro ainda úmido pelas lagrimas e lembrei-me de você mais uma vez. Mas não chorei, estava decidida a ir encontrá-lo depois do trabalho, como eu queria ter tido tempo para isso. Me vesti e caprichei na maquiagem, só para ela se borrar quando eu fui até a padaria no caminho para o trabalho e vi sua foto na capa do jornal. Teria dado tudo para que fosse ao lado de uma celebridade, ou algo bom. Mas isso não teria feito daquele o ultimo exemplar ainda na banca.

Na manchete dizia: “Jovem Morre Após Overdose de Heroína”.

~.~.~.~

By: Lara Polix – Cenas dispersas.

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Izabela
    fev 05, 2011 @ 17:29:50

    Como eu disse ontem Lindo mais triste…
    Da vontade de chorar, tadinhos >.<

    Responder

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